quinta-feira, 30 de julho de 2020



Tal como essa lagarta, a vida às vezes nos assusta, pois  não é da forma que esperávamos, não apresenta a beleza que gostaríamos de ver e não tem as tonalidades que nos agradam. Mas, tão certo como o destino desse pequeno ser é transformar-se numa linda borboleta, a vida também nos virá de outros modos. Pequenas e quase imperceptíveis metamorfoses acontecem todos os dias, mesmo quando não nos damos conta, ou, quando acreditamos que tudo continua da mesma forma. Pouco a pouco, as coisas que eram, já não são, e nunca mais tornarão a ser. Daí a importância de aproveitar cada fase, cada tempo, cada momento. 
Por mais que as circunstâncias pareçam ameaçadoras, temos a oportunidade de ver sob uma outra ótica e permitir que elas nos proporcione sensações agradáveis e aprendizados importantes. Assim como a lagartinha, que à primeira vista, nos parece uma ameaça, mas quando a mão se abre para ela, só consegue sentir as cócegas causada pela textura macia. 
Talvez tudo esteja muito assustador! É a fase da pupa, onde tudo é escuro demais, por mais que tentemos, não conseguimos ver além, todo o interior está sendo modificado, e isso causa muita dor e incertezas. A esperança não morreu, mas está adormecida em sono profundo, não há motivos para esperançar. Tentamos nos mover, mas a inércia é tudo que conseguimos, pois nossas circunstâncias não nos permite movimentos. 
E então, quando menos esperamos - e o segredo está em esperar - tem-se uma linda borboleta! Alegria, liberdade e leveza. Não mais escuridão, não mais dor, não mais temores. É uma nova fase. Talvez a mais linda, mas não a mais importante, porque o que importa é permanecer firme durante todo o processo! 
Quando a vida parecer desesperadora, espere, descanse, confie! Aprenda a desfrutar as fases, e tirar aprendizagens em cada uma delas. Tente ver o lado bom, por mais que, às vezes, isso seja praticamente impossível. Estenda a mão, renda-se e permita-se “sentir cócegas” daquilo que te assusta. Em breve, muito breve, tudo muda! As formas, as cores e os ares serão outros, e você terá certeza de que valeu a pena. 
Porque sim, a vida nos virá de outros modos! 

Cássia de Oliveira 

#reflexao #vida #esperança #lagarta



De quantas coisas você abriu mão ao perceber que eram grandes demais?
Quantos sonhos e desejos ficaram de lado porque você se achou pequeno e fraco?
Quantos caminhos você deixou de trilhar por considerar que havia muitos obstáculos?
As formigas sempre foram pra nós exemplo de determinação, persistência e trabalho em equipe. Em Provérbios encontramos o imperativo para olharmos esses pequenos seres e aprendermos com eles. 
Faça chuva ou sol, com o grupo todo ou apenas em duas, elas não desperdiçam uma oportunidade. Não deixam passar algo útil simplesmente porque é difícil demais. Não se importam com o que os outros vão pensar ou dizer ao vê-las trabalhando.
Assim, não desista dos seus objetivos, sejam eles do tamanho que forem. Talvez seria mais fácil se você fosse mais forte, ou tivesse mais pessoas ao seu lado te apoiando, ainda assim, não é impossível. Afinal, “tudo te será possível se você crer”. Acredite! Mesmo com circunstâncias desfavoráveis; mesmo que a trajetória pareça longa demais e as dificuldades venham de todos os lados; mesmo que as pessoas digam: olha o tamanho dele (a) e olha o que ele (a) está tentando carregar. 
Mesmo que digam que você não vai conseguir, siga em frente! Pois é você quem precisa acreditar, não eles. 
Não importa quanto tempo vai levar, as dores que você vai enfrentar e as tempestades que te assustarão. O que realmente importa, é você dar o primeiro passo, e confiar que existe um Deus que tem prazer em ajudar todos que, apesar das limitações, não desistem! 

Cássia de Oliveira

quarta-feira, 25 de março de 2020

Empatize-se

Sei que em eras digitais, muitos não têm paciência para "longos" textos. E os que têm, nos últimos dias estão saturados de leitura, um hábito que tem divagado de bons livros à matérias e informativos tristes e preocupantes.
De qualquer forma, vou escrever, porque me acalma e embora haja preocupações maiores, as minhas compõem uma lista não pequena. Cada um com sua lista, temos um país inteiro beirando o desespero.
Por mais que tentemos ser solidários e empáticos, conversa vai, conversa vem, percebemos que cada um pensa primeiro em si e nos seus. E quando alguém não revela tal posicionamento na conversa, o faz em seus atos. Verdade é, que nosso amado Quintana estava bem certo quando escreveu, “A nós bastam nossos próprios ais, Que a ninguém sua cruz é pequenina. Por pior que seja a situação na China, os nossos calos doem muito mais...” Por ironia, o poema encaixa-se duplamente na atual situação.
 Eu diria que é natural e não errado, colocar-se a si, família e amigos em primeiro lugar. Sempre daremos prioridade a quem nos é mais chegado e por quem temos afeto. Errado, penso eu, é desconsiderar todo o resto. Ou fingir que considera, criticando intensamente o poder público, líderes religiosos e profissionais da saúde, mas, comprar band-aid apenas para seus calos.  Não vou dizer aqui que o presidente (amado por uns e odiado por outros), o pastor que não fechou a igreja (também amado por uns e odiado por outros) e os médicos infectologistas estão certos ou errados.  E não vou falar nada sobre, porque minha opinião não importa nesse momento. Não vai diminuir o caos que se instaurou na nação; não vai diminuir o problema de ninguém. Xingar A ou B, só me faz descer o nível, não melhora as coisas.
Se todas as decisões que foram tomadas até aqui, tivessem sido diferentes, da mesma forma, uma metade estaria de acordo e a outra, discordando. Igualmente teria muita gente descarregando insultos, postando trezentos stories de sátiras e fazendo NADA para amenizar o sofrimento alheio. E não pense que sofre só os que testam positivo para Covid-19, sofre todo mundo. Quem pega o vírus e precisa estar hospitalizado, quem trata dele no hospital; quem fica em casa e teme infectar a família; quem não é do grupo de risco, mas anda tão ansioso que é capaz de enfartar; quem não tem o vírus, mas está prestes a perder o emprego; quem já está desempregado e percebe que provavelmente não sairá da situação tão logo; quem tem empresa e está endividado; quem é pai de família e mora precariamente em uma das muitas favelas e sabe que literalmente “se sair o bicho pega e se ficar o bicho come”; quem vive em situação de rua e ainda nem sabe o motivo de tanta gente andar com máscaras por aí... Sofre todo mundo, sofre eu e você.
Aonde eu quero chegar? No ponto em que, embora não sejamos profissionais da saúde, famosos que doam 1 milhão ao SUS, ou o presidente da república para fazermos o que achamos que deveria ser feito, podemos melhorar as coisas aqui e agora. Na nossa alma, nossa casa, comunidade, bairro, nos grupos virtuais, nos seguidores e seguidos das redes sociais...
Somos só mais um no meio de tantos, só mais um sentindo a dor do seu calo mais forte que as dores da Itália, do hospital, da favela, da rua, mas também dos pequenos e grandes empresários, dos governantes, dos milionários... Podemos ser um em tantos, mas também somos todos um só. E se ainda não entendemos, precisamos entender que quando um lado é afetado, todo o outro também é. Porque dependemos uns dos outros. Seja dentro de casa, seja no Brasil inteiro, precisamos de pessoas ao nosso redor. Ninguém faz nada sozinho. Se existe dores maiores e menores, sofrimentos grandes e pequenos, temos a opção de ignorar o menor e pequeno e considerar apenas o grande e maior, ou usar a tão escassa empatia e entender que quando eu categorizo e nivelo o sofrimento, é apenas o meu ponto de vista. E como já dizia o tio Boff, “todo ponto de vista é a vista de um ponto”. Logo, não ataque alguém, seja lá quem for, apenas por pensar que somente suas preocupações e dores são válidas.
Como já falei, podemos melhorar as coisas. Motive, anime, ajude, encoraje, fortaleça, “empatize-se” e sorria, sempre que possível. Porque sorrir em tempos difíceis, não é fingir que nada está acontecendo.  É ver que tudo está acontecendo e ainda assim, ter esperança!

Um abraço (virtual)!
Cássia de Oliveira

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

         Nunca foi fácil lidar com o novo, com "o nunca vivido"... Quando o novo é algo bom, a adaptação é rápida, o esforço brota sem força e tudo flui maravilhosamente bem.
Entretanto, quando "o nunca vivido é um "nunca desejar viver", tudo muda.  As coisas não são tão simples; não há adaptações, e o esforço precisa ser forçado, muito forçado, mesmo que doa... e dói! Sempre dói. São aquelas dores que não se escolhe, elas simplesmente vêm, como se fosse uma espécie de destino - é preciso vivê-la!
          Não dá pra ficar questionando tudo o tempo todo. Bem, até dá; o que não dá, é ter resposta pra todas as dúvidas, os porquês, os "e aí, qual é dessa vez?" ...
      O novo nunca vivido que se deseja nunca viver, deve trazer algo bom, antecipar bons momentos e preparar para dias de paz. É, deve sim. Pra alguma coisa ele tem que valer, não deve ser só pra causar dor.  Nada é só tristeza, tem que ter um outro lado, uma outra opção.
       Como a gente vive o novo nunca vivido? Dando jeitos... jeitos na vida, nos pensamentos, nas emoções e reações. Deus vai continuar ali, observando, admirando (ou não) os jeitos que a gente dá... Ele não vai dar as respostas prontas, elas devem ser procuradas, apesar de nem sempre serem encontradas.  Ele não vai permitir que "o nunca vivido" continue sendo um nunca vivido. É preciso que se viva, mesmo sem entender, mesmo tropeçando, caindo, rastejando...
       Ele não vai ficar pra sempre só observando... Em algum momento as coisas mudam de rumo. Ele também age, também fala, também cumpre! Será que existe ansiedade da parte dEle assim como da minha para esse "mudar de rumo"? Eu não sei... Na verdade, eu não sei muitas coisas, quanto mais vivo, menos sei, que loucura! E eu que pensei que seria bem diferente, que "os nunca vividos" seriam sempre bons e que as coisas boas nunca deixariam de existir.

Cássia

23/01/18
           

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Amanhã é incerteza

   A vida é poeira, é sopro, é piscar de olhos,
é nuvem que passa, é brisa
que vai, é folha que seca, que cai. É flor que murcha, é pó.
   O amanhã é sorriso, ou é lágrima. É o não saber.
É a expectativa ou a frustração, a alegria ou a dor.
É a incerteza.
   O hoje é o viver, o presente, o ser e estar. É o aqui e agora.
É a oportunidade, é momento.
   Que a vida seja vivida hoje, com a intensidade que cada minuto oferece.
Com a paz e tranquilidade que se merece. Com o amor
que se deseja.
Por que o amanhã pode não ser, pode não estar.
Ele é incerteza, não nos pertence...

Cássia de Oliveira

domingo, 3 de abril de 2016

E que se viva!

Que loucura essa vida. Que desafio esse jogo de viver, essa roda gigante que nunca para.
Que doida essa instabilidade constante que leva a vida aos extremos num piscar de olhos.
Que difícil não ter manual de instrução, ter que arriscar sempre, arriscar ganhar, arriscar perder.
Que louca loucura esse tempo que não dá pausas, que não espera, que atropela e que passa tão depressa.
Que complicado entender que o passado não volta, que o presente dá voltas e que o futuro nem sempre se vê.
E se isso é viver, esse turbilhão de sensações e emoções, que se viva pra valer.
Que se estenda mais a mão, que se doe mais abraços,  e se repita o perdão, sem limites, sem limites...
Que o amor, não seja tão escasso, nem tão burocrático, de tudo, ele é o menos complicado. Então, que se ame com intensidade, que se ame mais.
Que sorrisos apareçam com exageros, por motivos ou à toa, ele é sempre válido. Quanta vitalidade eles transmitem.
Que palavras boas sejam sempre ouvidas, de amigos ou estranhos, não importa. Importante é ouvi-las.
Que o medo seja apenas o combustível para nunca se parar. Para andar, sempre andar.
Que as paixões sejam bem vindas, as novas, as antigas, até as escondidas, porque apaixonar-se é necessário. Apaixonar-se sempre e repetidamente, por pessoas, por lugares, por momentos. E que não vire rotina, mas estilo de vida.
Que a sinceridade esteja presente e  seja respeitada, porque diferente da falsidade, ela faz crescer.
Que a humildade seja desejada por todos, assim como a gentileza e o respeito, porque nessa vida, somos todos, indiscutivelmente, todos iguais.
E que a paz, aquela que excede a todo entendimento, seja exalada, seja sentida, de segunda a segunda, sem restrições, sem interrupções. Porque, sim, ainda é possível nessa loucura de vida, se viver em paz!

Cássia de Oliveira

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Passo tanto tempo sem escrever aqui que, provavelmente eu sou a única que leio rs
Mas tudo bem!

As palavras a seguir, foram escritas no ano passado, mas hoje lendo o local onde escrevo meus pensamentos, orações e desabafos (pra não dizer "meu querido diário"), encontrei algo que penso ser pertinente. Sei lá, talvez você leia, se identifique e caia na real, assim como eu, que as coisas não vão bem e então, procure melhorar.  Ou quem sabe você vai ler e não entender nada. De qualquer forma, aí vai mais um pensamento que se desembaraçou ao passar pelos dedos.

Não é que as forças se acabam ou a esperança se vai,
É  que a gente se afasta de Deus.

Não é que o sentido se perde e a alegria desvanece,
É que a gente se afasta de Deus.

Não é que o brilho se apaga e o sorriso some,
É que a gente se afasta de Deus.

Não é que o sonho se dissipa e o objetivo se frustra,
É que a gente se afasta de Deus.

Não é que o coração aperta e a alma geme,
É que a gente se afasta de Deus.

Não é que a amizade termina e o mundo desaba,
É que a gente se afasta de Deus.

Não é que o viver esmorece e o respirar se fatiga,
É que a gente se afasta de Deus.

Não é que tudo perdeu o controle e a existência seja um erro,
É que a gente se afasta de Deus.

Quando a gente se afasta de Deus, experimenta a mais profunda dor na alma e o mais intenso pesar, Não porque ele castiga, mas porque longe dele, tudo perde o sentido.

Cássia de Oliveira
(25/10/15)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Mais amor por favor!

          Que o facebook não é o melhor lugar para se encontrar coisas interessantes, isso é verdade. Mas, vez ou outra alguém salva a pátria postando algo significativo. Hoje, por exemplo, li a seguinte frase: "Eu não preciso ser gay pra lutar contra a homofobia". Simples, mas inteligente.
O sujeito autor tem toda razão. Assim como não preciso ser de raça negra pra lutar contra o racismo, tampouco uma criança para combater a violência infantil. Só preciso ser humana e tratar o meu próximo também como humano.
As fotos coloridas nos perfis já estão incomodando muita gente. E por quê? Porque não concordam com a prática homossexual em si ou porque não toleram o "ser diferente"? Qual o problema com a diferença do outro? Por que respeitar classes específicas, enquanto todas se encaixam na de ser humano?
Isso é algo que realmente me incomoda! Não estou defendendo A ou B. Sou cristã e hetero, tenho meus princípios e conceitos formados e nunca fui desrespeitada por isso. Assim como não desrespeito aqueles que não concordam comigo. Se Jesus, sendo Deus, ofereceu e oferece seu amor a todos, sem impor critérios ou escolher gêneros, quem sou eu pra humanizar uns e desumanizar outros? Pra amar uns e desprezar outros?
Tenho amigos homos e heterossexuais e o amor que dispenso a eles tem a mesma intensidade. Posso não concordar com os atos e pensamentos de muita gente, mas isso não muda a forma como as vejo - humanas e alvos do amor de Deus. E a parte de julgar (que muitos adoram), eu prefiro deixar com Ele.
Mais amor por favor! "Porque toda lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo."

Cássia de Oliveira

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Eu poderia escolher qualquer coisa,
mas escolhi confiar.
e a partir do momento que confio,
já não sou eu quem direciona minha vida,
mas sim, aquele em que está depositada a minha confiança.
Já não sou eu quem escolhe o que fazer ou onde ir, mas Ele, Ele me diz
o que devo fazer e para onde ir.
Quando Ele não me diz, é porque quer que eu mesma escolha,
e por confiar nEle, eu opto por aquilo que irá agradá-lo.

Cássia de Oliveira

domingo, 4 de janeiro de 2015

  - Reclamare* + Ação


      Chega um momento em que você percebe que precisa melhorar, aquelas horas em que mudanças passam da lista de opções para a de necessidades.
Não, essas percepções não se dão pelo fato de ter iniciado um novo ano. Afinal, 2015 será como todos os outros se você optar pela inércia, isto é, falar muito, mas fazer nada.
Visivelmente falando, as coisas até estão bem, mas porque deixá-las assim se podem ficar muito bem, ótimas e até mesmo excelentes?

   Você não muda por preguiça ou por medo do novo?
   
  Talvez o principal motivo, seja mesmo a falta de coragem em renunciar algumas coisas.   Sim, se você procura por algo novo, precisa entender que é extremamente necessário dar boas vindas às renúncias! Afinal, é loucura desejar por mudança e continuar fazendo o que sempre fez.
Difícil? Com certeza. Mas jamais um ato impossível. Até porque, depois de um tempo torna-se habitual, você só precisa esforçar-se com demasia para o start.
      
    E calma! Não precisa se lamentar porque o primeiro dia do ano (aquele onde se inicia 1 milhão de coisas) já passou, ele certamente foi único, não vai voltar, mas você tem muitos outros pela frente. A esses dias, você pode dar o nome de "oportunidades", pois no despertar de cada um deles, você terá a possibilidade de mudar, de fazer melhor, de renunciar o supérfluo e ficar com o essencial. Terá a chance de ser ao invés de apenas parecer.

Cássia de Oliveira

*reclamāre do latim,“gritar contra”. Opor-se a algo ou protestar oralmente ou por escrito, queixar-se de alguma desconformidade, reivindicar ou exigir algo que foi injustamente tomado.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Liderança homeostática, é possível?

   Uma gangorra jamais ficará com os dois lados na mesma posição, a não ser que algo suficientemente forte posicione-se no centro dela e a equilibre. Caso contrário, sempre haverá um lado em cima e outro lado embaixo. Essa simples lógica me veio à mente quando com vinte e tantos anos me distraí juntamente com dois amigos a brincar de subir e descer numa gangorra.

   Era uma linda manhã de domingo, inverno de 2013, ainda estava cedo quando deixamos o hotel e decidimos por passear sem rumo com nosso espírito aventureiro de turistas pelas ruas de Montevideo. Sem mapas ou guia turístico, seguimos nosso passeio. Tudo era muito encantador, as folhas secas espalhadas pelas ruas uniam-se às construções de arquitetura charmosa e preservada e trazia uma paisagem com ar de Europa. A beleza dos edifícios que estampavam em seus detalhes vestígios do passado histórico nos enchia os olhos. 

O dia estava muito frio, principalmente pra nós, brasileiros desacostumados com temperaturas tão baixas. Ventava bastante na capital do Uruguay e logo a chuva fina começou a cair lentamente; andamos algumas quadras e estávamos diante de prédios antigos e espaçosos com grandes gramados à frente que beiravam as Ramblas – avenidas largas e extensas que contornam a costa de Montevideo. Estava pouco movimentada e assim, atravessamos a avenida de braços abertos sentindo a sensação de liberdade que o lugar proporcionava.

  Já do outro lado estávamos nós na Praça República Argentina, um espaço amplo, sem muitas árvores, com gramas verdes e macias. Um paredão de pedras separava a avenida da pequena praia do Rio de la Plata. Ali havia poucas pessoas, alguns cães brincavam com seus donos na areia e corriam eufóricos de um lado para outro, na calçada alguns pombos ciscavam distraidamente sem se importarem com quem ali passava, o horizonte ao mesmo tempo em que distante, parecia estar muito próximo. Embora que fôssemos bastante familiarizados com praias, não podíamos deixar de eternizar aquele momento, e assim, cada um com sua câmera fazia belos registros, com todas as poses e sorrisos, de todos os ângulos.

   Um pouco mais a frente um parque para crianças completamente ausente de pequenos, pareceu nos convidar a brincar. A simplicidade e aconchego do lugar nos impulsionou a viver por instantes a beleza da infância, afinal, naquela manhã os brinquedos eram todos nossos. Não nos incomodou o fato de que talvez alguns ‘adultos’ ririam da situação, até porque, não conhecíamos ninguém e ninguém nos conhecia.  Sem hesitar, nos entregamos à diversão.

  O sobe e desce da gangorra não me era novidade, mas as sensações que ela produz sempre são novas. Naquele dia, enquanto eu estava vezes muito próxima do chão, vezes elevada com os pés no ar, em meios às risadas me recordei do que havia ouvido no dia anterior, quando juntamente com um grupo de amigos brasileiros, e jovens de outros países, participava de um encontro para líderes juvenis na Intendência Municipal de Montevideo. Havia pastores, músicos e escritores renomados que nos proporcionaram situações e aprendizagens maravilhosas. Em meio aos momentos de comunhão, alegria e à atmosfera de adoração que nos envolveu, uma frase, das muitas palavras produtivas que foram faladas, me despertou a atenção. Quem a disse foi Pastor Marcos Witt, que durante sua fala divertida e inteligente afirmou: “No te achiques, pero no te engrandes”, isto é, não te menospreze, não te faças pequeno, mas também não te exaltes não te engrandeças.

  Os ouvintes lá presentes depositaram ainda mais atenção à fala do pastor e podia-se ouvir jovens afirmando uns aos outros: “no te achiques”, “no te engrandes”. Por um momento, pareceu-me paradoxal, pois estamos habituados à ótica dos extremos, ou estamos aqui ou lá, em cima ou embaixo, perto ou longe. Entretanto, logo percebi que Witt referia-se justamente ao equilíbrio que se deve ter entre um e outro, em como um líder deve se portar emocional e espiritualmente diante de seu grupo.

  Certamente que todos nós em algum momento da vida fomos liderados por pessoas que se achavam incapazes, viviam acanhados e demonstravam claramente que sentiam-se inferiores, mas havia também, e sempre há, aqueles que carregavam uma faixa de super líder, podiam, sabiam e faziam  “tudo”, pelo menos 50% da reunião era gasta por ele para elucidar suas qualidades.Essa é uma realidade constante na vida da liderança, desde os tempos bíblicos encontramos homens que foram chamados por Deus para exercer a função de líder e que reagiram de diferentes formas tanto ao chamado quanto durante o exercício da liderança. Podemos destacar entre muitos, dois personagens bíblicos jovens que apresentaram reações distintas quanto ao seu chamado – Jeremias e Sansão.

  Jeremias era de uma família de sacerdotes da tribo de Benjamim da cidade de Anatote (Jr 1.1), ainda muito jovem foi chamado para o ofício profético, porém não era uma missão qualquer, ele teria de confrontar os líderes e o povo por causa do pecado, profetizar o exílio de 70 anos na Babilônia e o retorno dos remanescentes a Judá. Talvez como qualquer outro, Jeremias relutou diante do novo desafio, pois lhe faltou autoconfiança, se sentiu sem habilidade e experiência para ser um profeta diante das nações e chegou a afirmar que não sabia falar, pois era uma criança (Jr 1.6). Mesmo ouvindo a voz do Senhor dizendo que o havia escolhido e santificado ainda quando estava no ventre de sua mãe, Jeremias hesitou, deixou que o medo e sua visão de si mesmo falasse mais alto que o chamado de Deus. Contudo, apesar de no primeiro momento Jeremias ter se “achicado”, ele decidiu confiar naquele que o havia escolhido, mesmo ainda duvidoso de seu potencial, ele acreditou que com a ajuda de Deus poderia exercer o chamado. Durante seu trabalho, muitas dificuldades lhe sobrevieram, Deus não o livrou das situações difíceis, dos insultos, das prisões, mas em todo momento esteve com ele. Dessa forma, Jeremias pôde perceber que apesar de sua fragilidade, era forte, pôde ter autoconfiança, não num sentido de soberba, mas porque Deus o havia escolhido e prometeu lhe capacitar.

   Sansão por sua vez, nasceu em Zorá, filho de Manoá da Tribo de Dã. Sua mãe era estéril, mas Deus a escolheu para ser mãe do nazireu que começaria a livrar Israel da mão dos filisteus. O voto de nazireu feito pelos pais de Sansão era para toda a vida, e por isso ele não poderia cortar seu cabelo, tocar num cadáver ou beber bebidas que contivesse álcool (Jz 1-7).  Desde muito cedo Sansão sabia de seu potencial. Era forte, determinado e conquistador, porém deixou que isso prevalecesse em sua personalidade, deixou de lado seu nazireado para satisfazer as próprias vontades. Tinha tudo para ser um grande líder,capacidade para fortalecer sua nação, para acabar com os filisteus, mas vacilou no controle emocional, não tinha disciplina, nem limites, foi desobediente a princípios e não atentou aos conselhos de seus pais, se deixou guiar pela compulsividade e pelo descontrole das emoções. Ainda assim, apesar de tudo, Sansão conseguiu realizar o propósito anunciado pelo anjo do Senhor antes de seu nascimento. Ele deu início ao resgate de Israel da mão dos filisteus. Sansão poderia ter feito muito mais, tinha potencialidades para isso, mas deixou que seu excesso de autoconfiança lhe impedisse. Teve uma liderança curta e uma morte precoce, desperdiçou parte de sua vida. Apesar deu seu nome estar na lista dos Heróis da Fé, muitos lembram dele como alguém que desperdiçou seu potencial.

   Atualmente, o quadro continua o mesmo. Dentro das igrejas encontramos líderes com diferentes perfis, uns que se assemelham ao de Jeremias, outros ao de Sansão. É comum também, ouvirmos jovens insatisfeitos com sua liderança, com seu modo de agir diante do grupo e com a forma que tratam seus liderados. É certo que líder perfeito não existe, até porque a perfeição na maioria das vezes será vista com relatividade.  Agradar a todos é uma tarefa difícil, trabalhosa, os liderados são jovens com formas de pensar e agir completamente distintas um dos outros, com opiniões e princípios que muitas vezes colidem entre si. Todavia, isso tem servido de desculpa da parte de algumas lideranças para se acomodarem, conformam-se com o que são e não buscam por aperfeiçoamento. Acreditam que se Deus os escolheu assim, é assim que devem permanecer. Quem sofre as consequências é todo o grupo, que muitas vezes se reúne para ouvir um líder que nem se quer acredita em si mesmo, que dirá nos jovens.  Ou um líder que acredita tanto em si que não sobra espaço para apostar nos jovens.

   Um líder que se sente incapaz, dificilmente tomará frente no seu grupo, prefere estar sentado e deixar que outro se encarregue das responsabilidades, sempre se vê inútil para exercer alguma atividade, alimenta constantemente seu complexo de inferioridade e deixa isso evidente aos que estão ao seu redor. Seus liderados estão sempre buscando motivá-lo, pois percebem a necessidade disso. O líder sozinho não é capaz de automotivar-se, é como uma criança mimada que precisa da atenção de todos voltada a ela.                                                Algumas das características desse tipo de líder são:

  • ·         Pensamentos e emoções negativas                                         
  • ·         Cultivo de pessimismo e fracasso
  • ·          Insegurança quanto ao chamado
  • ·          Vulnerabilidade
  • ·         Falta de persistência
  • ·         Desânimo


Já o líder como excesso de autoestima, sente grande necessidade de aparecer, gosta de falar, de se impor, mas não costuma parar pra ouvir. Afirma sempre que poderia estar em qualquer outro lugar ao invés de estar com os jovens, deixando claro que está onde está apenas porque se acha capaz e não por querer contribuir para o reino. Seus liderados sentem-se desestimulados, pois não encontram espaço para trabalharem e quando fazem algo, temem pela desaprovação de seu superior. Líderes desse tipo, comumente se escondem atrás de um orgulho doentio, se vangloriam por seus atos constantemente, fazem disso seu combustível.                                                                                                                             Características comuns a esses líderes são:

  • ·         Necessidade por destaque
  • ·         Insensibilidade
  • ·         Egocentrismo
  • ·         Realização dos objetivos a qualquer custo
  • ·         Otimismo exagerado
  • ·         Vanglória

  O indivíduo que está à frente de uma liderança tem o poder de influenciar tanto para o bem quanto para o mal. Seus liderados se espelham nele, imitam seus pensamentos, atitudes e a forma como tratam o próximo. Se o líder não se preocupar em formar líderes, então seu exercício de liderança será um fracasso. Se não houver sucessores, o tempo de liderança não teve validade. É preciso que durante o tempo em que se está à frente de um grupo, seja feito o trabalho de um garimpeiro, encontrar o ouro em cada pessoa, o melhor de cada liderado, pois “ninguém é tão comum que não seja interessante”, todos possuem algo muito proveitoso.

   O líder será sempre lembrado pelas atitudes que tomou ante uma determinada situação, sejam elas louváveis ou não. Cada líder possui uma personalidade, e isso é o que lhe torna único, o enfoque aqui não é a mudança de personalidade, mas o aperfeiçoamento de caráter. Se o líder se parece com Jeremias ou Sansão, se ele se “achica” com frequência ou em todo tempo se ensoberbece é preciso que encontre o equilíbrio, é preciso que trabalhe em si aquilo que está atrapalhando seu bom desempenho. Jesus foi o grande exemplo de liderança e deve ser seguido por todos. Ele foi o único totalmente equilibrado em todas as situações, suficiente para não se empolgar com os elogios que recebia, e nem se revoltar com as críticas e perseguições. Teve equilíbrio para ser humilde e servir sem se sentir incapaz, em nenhum momento sentiu-se grande e poderoso, mesmo sendo grande e poderoso.

Cássia de Oliveira




terça-feira, 19 de agosto de 2014

O Meu Papel Parede!



         Três horas da madrugada e eu me pergunto o quê minha mãe talvez já tenha se perguntado há bastante tempo: porque eu escrevo na parede enquanto minhas gavetas estão cheias de papéis?

Bem, não foi preciso pensar muito. Comecei a responder pra mim mesma que escrevo nas paredes não porque sou desocupada ou porque as pessoas que entram em meu quarto acham legal. Dentre outras razões, faço isso porque aprendi que o travesseiro não serve apenas para uma agradável noite de sono. Além de contribuir para um bom descanso, ele é um companheiro que ajuda a alar a imaginação. Assim como a escrita, ele parece desembaraçar os pensamentos mais complexos. Agora provavelmente você acaba de pensar, “ué! O que travesseiro e parede têm em comum?”, e eu explico, por muitas vezes esse objeto fofo de repousar a cabeça foi testemunha secreta dos meus pensamentos mais insanos e embaraçosos. Durante esses momentos em que eu tinha apenas ele como companhia física pra dividir o que se passava em minha mente, eu mantive meus olhos abertos, fitos na parede e isso me foi a solução de não me perder em meio ao turbilhão de ideias, reflexões e dúvidas.

Quando me senti triste, olhei pra frente e li na parede que “ostra feliz não faz pérola”, logo, preciso de tempos difíceis pra produzir boas coisas.
 Quando ansiosa em demasia, “piano, piano se va lontano”, percebi mais uma vez que ao ir muito rápido, canso demais e perco a força para prosseguir. 
 Nos momentos em que pensei nunca poder influenciar, “vós sois a geração eleita”, e pude ouvir novamente a voz do meu amigo Espírito Santo dizendo: “sim, eu te escolhi”. 
 Naqueles dias que enganei a mim mesma aparentando ser o que não era, “esse quam videri”, e lembrei que muitas coisas mudam, mas o ser ainda ultrapassa a aparência. 
 Quando parecia tudo perdido, “a esperança viva está”, e descartei definitivamente o ditado “a esperança é a última que morre”, afinal, ela não morre, apenas se esconde vez ou outra. 
 Em tempos onde o medo me atormentava, “se Deus está conosco não há o que temer”, relembrava que meu Deus é maior que tudo. Ele é o Eu Sou. 
 Quando pedi a morte por desejar mais estar com Deus do que aqui, “hold on, we’re going home”, entendi que já esteve bem mais longe, muito breve, num piscar de olhos, estarei em casa. 
 Nas situações em que pensei não valer a pena escrever, “verba volant scripta manent”, e compreendi que talvez daqui a algum tempo, alguns não poderão me ouvir, mas poderão me ler. 
 Quando desacreditei da existência de pessoas sensíveis à poesia, lá estava na parede um poema feito pra mim, concluí que nem tudo está perdido. 
 Em momentos que permiti surgir uma faísca de vingança, “bem aventurado os pacificadores”, e lembrei que sou seguidora de Cristo. 
 Nas horas que lamentei por ter falhado, “And I’m horrible limited”, acordei para a realidade – sou humana. 
 Quando reclamei da dificuldade em alcançar meus sonhos, “Quanto maior o objetivo, maior o sacrifício”, mais alguma reclamação?
 Nos dias que apenas chorei, “e Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima”, continuei chorando...

E então, diante disso, concluí que pra falar com o rei Belsazar Deus escreveu na parede, na minha, eu mesma escrevo, mas também ouço a voz dEle. Uns acham legalzinho, outros falta do que fazer. Pra mim é muito mais. Aprendi que posso ouvir a voz de Deus de diversas maneiras, em todos os lugares e com apenas uma condição, a de ter a sensibilidade de deixar os ouvidos sempre abertos.



Cássia de Oliveira
(14/08/14)

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sobre o desafio de seguir a Cristo

   Aceitar a obra de Deus é estar muitas vezes aonde se preferia não estar, é sujeitar fazer coisas não tão boas de se fazer, é encarar problemas que a maioria poria embaixo do tapete.
   Se você diz sim ao chamado de Deus, você não pode escolher o quê e quando fazer. O chamado é dele e não seu. você não pode dizer a Deus que as decisões dele estão erradas e que você não gostou.
  Atender ao chamado divino implica submissão. Muitas vezes as circunstâncias não irão mudar só porque você não se adaptou, e aí é hora de você mudar. Todo tempo difícil que você enfrenta é o momento de reajustes, você precisa estar à altura do seu chamado e para que isso aconteça você terá de enfrentar mudanças, terá de sofrer lentamente, terá de aprender a dizer "Sim Senhor" ao invés de "porquê" ou "pra quê".
   Os tempos difíceis não irão acabar com você, eles são extremamente necessários, tal como a comida ao corpo. São eles  que fazem as máscaras caírem e por meio deles você torna suas orações e súplicas mais sinceras e reais. Eles farão você entender que ser submisso à vontade de Deus é o primeiro passo para que você desfrute do propósito dEle na sua vida, e se você observar, as dificuldades e aflições também são degraus da longa escada da vida cristã, a decisão é sua,ou continua subindo ou desce.
   Independente da sua escolha, você precisa aceitar que ser chamado por Deus é sinônimo de vida com renúncias, perseguições e muito esforço. Ele não disse que seria fácil e se falaram isso a você, mentiram! Apesar das dificuldades Ele prometeu que jamais te deixaria só, obviamente isso não torna as coisas muito mais fáceis, mas torna você capaz de enfrentar e vencer as adversidades de cada dia.

Cássia de Oliveira

(25/06/14)

Se você não desabafa, você enlouquece!

   
        Às vezes me perco em meio aos pensamentos, buscando definir o que quero ser, ter e para onde quero ir. Mas outras vezes tenho isso tudo tão certo dentro de mim, que minha vontade é saltar de onde estou para a realização de tudo que sonho e aspiro.
Eu não quero passar o resto dos meus dias sentada um uma cadeira que me dói as costas, olhando pra uma tela de computador e respondendo e-mails. Não quero ter que todo dia seguir uma rígida rotina para poder ter uma quantidade de dinheiro no final do mês. Não quero ter que ver meus livros na estante e sentir intensa vontade de lê-los, mas não ter condições devido ao sono e cansaço. Não quero passar meus finais de semana dormindo porque não o fiz de forma suficiente durante a semana. Não quero estudar visando dinheiro ou posição. Não quero estar com pessoas que não me acrescentam e ainda me fazem pensar e falar coisas que não são do meu nível. Não quero sentir a terrível sensação de saber que nesse exato momento muitos precisam de ajuda, mas estou ocupada estudando sobre petróleo e seus derivados. Não quero viver um comodismo espiritual que me faz definhar a cada dia. Não quero depender do que a maioria depende. Não quero ser o que a maioria é. Não quero me arrepender de ter feito nada quando precisava fazer tudo. Não quero pensar que a vida não vale a pena. Não quero deitar na minha cama tão enojada a ponto de não querer me levantar no dia seguinte. Não quero apenas pedir para que Deus ajude as pessoas. Não quero ter como maior meta o crescimento profissional. Não quero pensar que o dinheiro precisa ser adquirido em excesso para se ter paz. Não quero sair às ruas indiferente ao sofrimento das pessoas. Não quero fingir que tudo está bem, quando vejo claramente que não está. Não quero ser hipócrita ao falar de vida com Deus e não viver com Deus. Não quero ter a estúpida conclusão de que a vida se resume em viver. Não quero chorar todos os dias de insatisfação e fazer nada para mudar. Não quero conversar com pessoas individualistas e ter de conviver com elas. Não quero estar rodeada de pessoas que alimentam o sentimento de inveja. Não quero ter de ser e fazer o que os outros pensam ser o correto. Não quero ser apressada nas decisões que não tenho pressa em tomar. Não quero críticas e opiniões que me destroem. Não quero pessoas falsas e calculistas. Não quero ir a um shopping no sábado, me encher de compras e pensar que meu final de semana foi ótimo. Não quero insistir em coisas que não me acrescentam. Não quero depender de redes sociais para me comunicar com seres humanos. Não quero ir à igreja sem pensar em culto a Deus. Não quero ser considerada cristã apenas pelas roupas que uso ou lugares que frequento. Não quero cantar só porque sei cantar. Não quero ter que usar minha criatividade para secularidades. Não quero esquecer das coisas incríveis que vivi. Não quero pensar que pensar perdeu a graça. Não quero me sentir sozinha só porque não tenho alguém ao meu lado. Não quero ser chamada de linda só pela beleza exterior. Não quero vir as coisas fugindo do meu controle e continuar inerte. Não quero pensar que o que sou depende de onde estou. Não quero afirmar que sou livre e viver presa por meus temores. Não quero acumular conhecimento e não os por em prática. Não quero ter que rir daquilo que não encontro graça. Não quero ver tudo acontecendo e continuar no mesmo ritmo. Não quero ser egoísta em ansiar pelo céu, sabendo que muitos nunca ouviram falar nele. Não quero me acomodar só porque a maioria se acomoda. Não quero gastar tempo com futilidades. Não quero pensar só depois de ter falado. Não quero negligenciar meu chamado. Não quero esquecer meus propósitos. Não quero desconsiderar tudo que passei. Não quero lembrar das histórias que li e nunca viver algo semelhante. Não quero ser lembrada por nunca ter tentado. Não quero chegar diante de Deus e me envergonhar por ter feito tão pouco.


Cássia de Oliveira

(18/03/14)
Da Série Desabafo em tempos difíceis
Eu não quero pensar que as coisas não têm mais jeito só porque ainda não encontrei  a solução.
Não quero desistir dos meus sonhos só porque tudo parece distante demais.
Nuvens escuras... eu não consigo enxergar boas notícias.
Hoje sou apenas eu, não há boas companhias. Não há pessoas com quem eu posso  contar. Não há uma saída visível. 
O que encontro são lições. Sim, tudo isso foi projetado cuidadosamente para me ensinar algumas lições. Não sei se estou conseguindo aprender, não sei se serei aprovada. Na verdade é isso que mais me preocupa. Estou conseguindo viver com tudo isso, ou melhor, estou conseguindo sobreviver, mas isso não me faz bem. Talvez seja verdade aquilo que me falaram, que "sou mimada demais" e por isso minha estrutura não é forte suficiente para resistir, ou pode ser que não seja isso, talvez eu nem sei o que é, e tenho gastado tempo demais tentando descobrir.
Talvez eu não esteja conseguindo ouvir tua voz, ou consigo ouvi-la, mas não consigo discernir o que queres. 
Bem, eu não sei o que fazer... pra onde ir... o que pensar.
Nunca quero te decepcionar, mas entendo que o faço com frequência. Eu só preciso de direção... direção... "Eu grito pra ti oh Deus"...

Cássia de Oliveira

(09/04/14)
Da série Desabafo em tempos difíceis
É só mais um dia, mais uma semana, mais um ano...
Daqui a pouco serão décadas, será uma vida.
E eu, bem aqui, já estou cansada, não me pergunte de quê e porquê. Só acredite que cansei.
Eu não gosto disso tudo, assim não vivo na intensidade da vida. Não me completo, nem me acabo, vivo meio assim, pela metade.
A cabeça mais se apoia nas mãos do que se ergue. E o que eu posso fazer?
Não sei, tô tentando encontrar a solução. Já pedi ajuda, mas por enquanto, tudo na mesma.
Talvez eu tenha que resolver sozinha, mas preciso de uma direção, não posso fugir para o que quero sem saber qual o caminho.
Também não posso pensar que assim está bem, porque não está.
Não posso aceitar que isso basta, porque é mentira e eu não gosto de mentiras.
Só preciso de uma atençãozinha, porque estou definitivamente determinada a dar o ponta pé inicial.

Cássia de Oliveira

(08/04/14)
  Da série Desabafo em tempos difíceis

   Você pode procurar em todos os lugares, tentar todos os métodos e experimentar de tudo, porém só descobrirá o prazer de ser livre quando deixar que o filho (Jesus) liberte você. Caso contrário sua busca será inútil e sua vida será tão miserável quanto a tristeza da sua alma.


                               Se, pois, o filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. João 8.36

Cássia de Oliveira

sábado, 9 de agosto de 2014

Porque há o direito ao grito!

   Sempre digo que é importante falarmos aos outros as coisas boas que pensamos ao seu respeito, elogiá-los quando merecem, caso contrário, não poderão adivinhar nossas opiniões e na maioria das vezes, sabê-las faz toda diferença.
Ontem eu estava num show evangélico com meus amigos, um culto de adoração a Deus. Em um determinado momento um moço se dirige a mim e diz:
- Oi, teu nome é Cássia né?!
- Sim, sou a Cássia
- Ah! Eu leio o teu blog, bem, já li algumas vezes.
- Sério? Uau que massa!
- Sim, gosto do que escreves.
- Bah! Obrigada. Legal ouvir isso.
Eu realmente gostei da atitude dele, em seguida lembrei que faz tempo que não escrevo e então hoje me senti motivada a pôr algo no papel (Sim. Antes de digitar eu uso caneta e papel rs).
  Entre os louvores cantados, os pulos, gritos, danças e mãos levantadas durante o show só se podia ver rostos expressando uma alegria contagiante. Sabe quando você olha ao redor e percebe uma atmosfera incrível, uma paz sobrenatural? Então, era essa a sensação que eu estava experimentando.
A única bebida que ingeríamos era água e até onde sei ela não causa nenhuma sensação de êxtase, apenas sacia a sede e aí pensei: Cara! Nós somos livres. Sim, somos livres, não dependemos de estímulos exteriores, de bebidas alcoólicas, drogas, roupas sensuais, nós simplesmente temos a liberdade em Cristo Jesus.  Nós gritávamos em uma só voz "Ah! Jesus é rei. Ah! me conquistou. Ah! Me libertou pra viver uma nova história. Ah Jesus é rei..."
 Comecei a lembrar dos nossos irmãos sendo perseguidos e mortos em diversos países. Iraque, Somália, Síria, Nigéria, nesses e em outros lugares pessoas sendo executadas, arrancadas de suas casas por não negarem  ao seu Deus. Precisam fazer cultos  escondidos, viver de forma clandestina, não podem revelar publicamente sua fé, não podem viver como cidadãos dignos com liberdade de expressão religiosa.
Ao recordar disso, eu agradeci muito a Deus, dei graças por poder estar com meus amigos tarde da noite cantando e dançando, gritando que Jesus é nosso Senhor. Agradeci por viver num país onde temos liberdade, agradeci porque temos pessoas que se envolvem e se empenham em realizar eventos desse nível, agradeci porque podemos compartilhar nossa fé em qualquer lugar.
Li um depoimento de um cristão perseguido e ele dizia que "gostaria de poder apenas estar dentro de uma igreja e gritar o nome do Senhor Jesus Cristo, bem alto". Poxa, eu realmente me comovi com essa frase. O que podemos fazer todos os dias é o desejo ardente de muitas pessoas. Nós podemos expressar o nosso amor pelo único e verdadeiro Deus, o nosso Deus! Nós temos templos pra nos reunirmos, temos praças, centro de eventos, praias, parques, podemos louvar ao Senhor em todos esses lugares sem restrições.
É tempo de sermos mais agradecidos, de deixarmos arder ainda mais forte o primeiro amor, de aproveitarmos mesmo cada oportunidade e professarmos nossa fé. É tempo de desenvolvermos um coração grato e valorizarmos a liberdade que Cristo nos deu.

Cássia de Oliveira

domingo, 27 de abril de 2014

Talvez uma Autoajuda

    Você nunca estará pronto, jamais será a pessoa perfeita, um ser acabado que não necessita de ajustes. Algumas pessoas exigem perfeição de você, às vezes você mesmo exige isso, mas não seja tão cruel com você mesmo, não deixe de fazer coisas que sempre quis por não se achar preparado, não espere a excelência antes de tentar, não dê ouvidos para quem não merece sua atenção, não pense que você é incapaz. E não importa se falaram isso, lembre-se que há pessoas que pensam apenas depois de falar e outras, lamentavelmente nem conseguem pensar.
  Não aja como apenas mais um, não se diminua só porque não está no topo. Não alimente sentimentos ruins, não guarde (no coração e na gaveta) o que não te acrescenta. Não SONHE com coisas supérfluas, não LEMBRE daquilo que não vale ser lembrado.
  VALORIZE os pequenos atos, se você observar, verá que não são tão pequenos quanto parecem. Aproveite cada momento de sua caminhada, lembre-se sempre que é melhor terminar bem do que iniciar bem. Se você conseguir ambos, ótimo!
  Não seja tão insensível com aqueles que te rodeiam, sejam eles família, amigos, estranhos ou inimigos. Todos precisam de um abraço, todos merecem um sorriso, mesmo que não sejam capazes de devolvê-lo. Não exija das pessoas atitudes que são grandes demais para elas.
   VIVA o amor na sua intensidade, COMPARTILHE boas ideias, não gaste seu tempo falando de alguém que não está presente para se defender.
   Não seja pessimista diante das adversidades. Não pense que tudo acabou só porque parece acabado, procure encontrar o lado bom da tragédia, sempre há.
   Não fale sobre Deus como algo distante e inatingível, Ele sempre está mais perto que você imagina. Não o procure apenas nos dias difíceis, a companhia dele é extremamente agradável em todas as horas. Não pense que Ele é seletivo como os humanos, Ele não considera sua aparência exterior e seus bens para se aproximar, Ele vê seu coração.
    Não seja negligente com seus sentimentos, não finja que tudo está bem por medo do que irão falar. Não sofra apenas para agradar as pessoas. Não deixe de sonhar, não pense que há coisas inalcançáveis, elas só existirão, se você quiser. ACREDITE em seu potencial, CONFIE que você tem um alto valor, você foi comprado por preço de sangue.
   Não deixe que a tristeza ocupe lugar e seu coração, não desista de lutar pela paz, não seja indiferente às necessidades alheias, não desvalorize a vida.  E por último, não viva como se a morte fosse o fim, lembre-se, há uma eternidade além dela.

Cássia de Oliveira